terça-feira, 28 de agosto de 2012

Na terra do trinta e um


Na terra do trinta e um
Mais uma grande tramóia
Despacham o canal um                 
Com gala numa tipóia

Lá dentro vão os câmaras
Os locutores e afins
E de forma estranha
Adereços e cetins

Mas o arraial
Ainda não terminou
Mata-se o canal dois
Logo o senhor ditou
De um modo geral
Venda como nos bois
Nos querem impingir
Que burros que vós sois.

Concessão estranha
Nos veio anunciar
O senhor engravatado
Mas que grande patranha

Para mal dos meus pecados
O Primeiro em silêncio
Ministros todos calados
Dá-me cá um arrepio

Se por acaso pensam
Que o Zezinho é cego
É bom que se convençam
Nem cego nem labrego

A nossa televisão
Faz parte do imaginário
Metam a concessão
Fechada num armário

Tratem de pelo menos
Mostrar que nos governam
Só assim haveremos
De saltar do inferno

Da Troica que por cá está
A ofertar trocados
Em troca da debanda
De tudo ao deus dará

Onde já se viu
A televisão matar
Assim tudo ruiu
Não nos iremos calar

Ó senhor Passos Coelho
Veja lá se desperta
Porque a bola no joelho
É quase sempre incerta.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

O pingo que mais dá...


Ontem foi dia Um
Um dia p`RA relembrar
Eram mais de mil e um
No pingo a amealhar

Um ver se te avias foi
Nem os grelos escaparam
Até os rabo de boi
No pingo se esgotaram

Para não falar das cenouras
Das couves e nos rabanetes
As azeitonas mouras
Foram-se nos ginetes

A massa, arroz e feijão
O Omo e a água rás
Tudo ao trambolhão
Dentro imenso do cabaz

As latitas de atum
As sal(chi)chas alemãs
Foi um trinta e um
Esgotaram-se as romãs

As bananas não escaparam
Onda no pingo houve
As trutas até saltaram
Esbarraram numa couve

Os pobres dos pimentões
Com as alfaces por cima
Pelo meio os melões
E um frasco de benzina

Uns bifinhos da alcatra
E umas perninhas de frango
No fim houve zaragata
Esgotou-se o morango

Leite magro e o gordo
A margarina e a planta
A mioleira de porco
E uma pizza p`rá janta

O pior foi p`ra pagar
Porque a menina da caixa
Tantas horas sem parar
Às tantas gritou`` meto baixa´´

O gerente em alvoroço
Levou as mãos á cabeça
Parecia um piolhoso
Disse `` rapariga isso é moleza´´

Horas e horas a fio
Em casa está por fim
O portuga de bolso vazio
Dando graças ao festim

Assim vamos por cá
Na terra do trinta e um
O pingo o que mais dá
No resto do mês, jejum.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O Bananal do Reino

Uma banana delirante
Se achegou descontraída
Um coqueiro ofegante
Desancou a atrevida

O pior está p`ra vir
Se achegou arreliada
Uma couve a sorrir
Está a salada bichada

Uma alfacinha piquena
A medo falou então
Vergonha mas que barrela
Tanta falta de sabão

A pobre da banana
Soluçou e nada disse
O hortelão bacana
Em socorro assim disse

Falam tanto sem dizer nada
A banana é que está certa
Não passam de codornizes
Ressentidos infelizes
Andando de bicicleta

Isto é que vai uma açorda
No reino da fantasia
O bananal transborda
De bafio e muita azia.

Assim o meteorologista
Tem trabalho redobrado
Bananas e couves a eito
Na horta ali do lado
Digam lá se dará jeito
Vender a banana em saldo
Porque a casca escorrega
Escorrega pela goela
Ai jesus estou tramada
Ainda levo a amarela

Ainda levo a amarela
E a folha da bananeira
Ou então uma adubadela
Por tocar na asneira..





terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Os Fakes no reino da fantasia

Ainda a procissão vai no adro
Já é longa a grinalda
No reino canta-se o fado
Cala-te se não se cala
Se não se cala calo eu
Calas tu eu calarei
Ainda a procissão vai no adro
E o reino amofina em lei
Em lei que não é grei
Arre chiça que é demais
Do que foi que me lembrei
Plantar couves nunca mais
Agora que me pula o pé
Estou de asas cortadas
Se eu entrar no banzé
Terei as favas contadas

Ainda a procissão vai no adro
Falta rezar a missa
O prior está resguardado
Ou então está com preguiça

As couves e os rabanetes
Com a geada se vão safando
As alfaces em ginetes
Aos poucos já vão murchando

Por este andar estouvado
O reino ficará ás moscas
Sobrarão para cantar o fado
Os fakes em quadras soltas.


domingo, 8 de janeiro de 2012

Regulamento bebé…vai dar banzé…

O poeta  tem talento
Quanto a isso não há duvida
Escreve com falta de senso
De mim para mim penso
Que finge não estar perdida
Que até a julga tingida
A palavra atrapalhada
Esperneando enfraquecida
Numa trapalhada airosa
A rima não é vistosa
E faz sombra no umbral
Depois é ver o arraial
Que no reino se desfolha

Eu morta de rir, que venha o diabo e escolha
Entre os versos do poeta e a rede com ares de trolha
Ainda agora está no forno um regulamento bebé
Ai jesus alguém gritou,  vão ver o que é dar banzé.

Plagiando o provérbio, «Quanto mais se mexe mais fede « a caca de galinha


Corram em bando diz o poeta
Desconhece que voando se alcança a meta
Plagiadores de provérbios maquilhem-se a preceito
Desconhece também o que é tirar proveito
De um mata-borrão premido a rigor
Não é preciso espalhafato para encontrar sabor

Na liberdade de voar assim como de pensar que se aprende com o povo
Mas desconhece o poeta para ele tudo é novo
Há que ter labaça e lembrar democracia
Contudo que se esqueça a demagogia
Porque o poeta se perde no intricar da palavra
Tanto alarido para ficar lambuzada
Na caca inquinada e eu pergunto o porquê
Será este o jeito de cativar freguês
Para versos corridos que têm algum sabor
Pena poeta, que vejas a vida sem cor.

Só mais uma coisa que preciso entender
Na lusalite a imunidade é para oferecer
A quem mais se passeie sem senso comum
Será a imunidade a pipoca só de um.



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Conversas

Gostava de ter conversa
Horas e horas a fio
Um olá, eu sei é pouco
Para quem procura. O quê ?
A maioria nem sabe
Procura…

Gostava de ter conversa
Daquela, fiada
Mas sou como sou
E mais nada
Conversa eu gosto
Olhos nos olhos

Gostava de ter conversa
Igual a molhos
De espigas doiradas
Mas ao vento ficam espalhadas
De conversa eu gosto
Daquelas que ficam na memória guardadas.