terça-feira, 1 de abril de 2014

Azia no Luso lait…


Novamente do avesso
No reino da fantasia
Ai jesus o que padeço
Atolada na azia

É assim sempre que entro
 Bota acima e bota abaixo
Há quem ande cabisbaixo
Nos corredores do convento
E então em dias de vento
É um ai que lhe acuda
O melhor é ficar muda
Ou de morta me fazer
Então não querem lá ver
Novamente do avesso

Ele são erros e erros
Numa escrita desalinhada
Ó ( Supremo) quando trava?
Já estou pelos cabelos
Nos poemas era vê-los
A nadar em aselhice
Mas que coisa, que chatice
Com o que está a acontecer
Há poetas a ferver
No reino da fantasia


Eu também, não sou de modas
 Muito menos de compadrio
Anda tudo em redopio
Com a coisa das estatísticas
Até as quadras são tisicas
Outras de cara deslavada
Há ainda a tresloucada
Que no sexo é rainha
De mente escura e fuinha
Ai jesus o que padeço

Com a menina alvoraçada
E os piropos empedernidos
Ele são erros e gemidos
Que tristeza desvairada
Pela gula afiambrada
No elogio mentiroso
Só me Lembra o cão ao osso
O que agora aqui se passa
Reina  a escrita sem graça
Atolada na azia.


quinta-feira, 27 de março de 2014

Plagiar

Agora vou plagiar
Os poetas que sangraram
Poemas de amor a rimar
E a todos encantaram

`` Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que doi e não se sente``
Plagiei Camões alegremente
Resta esperar que venham ler

``Num banco de jardim uma velhinha
Está tão só com a sombrinha``
Que teria o Ary a dizer
Sobre a minha atitude fuinha

`` horas profundas lentas e caladas
Feitas de beijos rubros e ardentes``
Diz-me Florbela musa engalanada
Que pensas do meu ego incontinente

Poderia ficar eternamente
Dando exemplo do copianço
Lamento sinceramente
Que num país de poetas
Outros tantos sem vergonha
Lambuzem de merda luzente
Os olhos da gente que sonha

Aplaudindo de olhar manso.


domingo, 23 de fevereiro de 2014

Na casa do trinta e um

Na casa do trinta e um anda tudo alterado
Emigra ou não emigra, tem valor ou é falsete
Anda tudo revirado, tudo anda ao encontrão
Tudo nega ao olhar que esta vida é um ginete
Hoje estás tu no barco, logo mais estarei eu
Na casa do trinta e um, mas que grande confusão.

Enquanto os  burros zurram…
A caravana adiante trouxe o Relvas à arena

E agora quero ver onde o circo vai parar
Um dia ao acordarmos vai o Tejo a emigrar
Os olhares envinagrados pela inveja ou maledicência
Deviam estar alinhados em combater ignorância
Só assim teremos força  p`ra enxotar esta corja
Que nos colocou de tanga, porque emigra ou não emigra
Devia ser por vontade, não p`la força da pobreza
Para que os nossos governantes nos tirem a tripa do cu
De nós façam chouriços na casa do trinta um.

A caravana se perde em tamanho alvoroço
Os (Relvas) estão de olho. Nas calças o bolso cheio.
É salgado ou mais insosso, é doce ou amargo
Na casa dos trinta e um por dá cá aquela palha
Afunda-se a memória em masmorra com fornalha.





domingo, 2 de fevereiro de 2014

Beijinho



Dá-me um beijinho
 Beijinho repenicado
Dá-me um beijinho
Ou caso está mal parado

Ora já se está a ver
Chegou-me o pelo à venta
Beijar por bem parecer
É coisa que não se aguenta

Mas, nos entretantos
Dá-me um beijinho garina
Ai jesus os solavancos
Subiram por mim acima


Nem queiram saber
Os azeites entupiram
Do dizer ao fazer
Os mosquitos zumbiram

Dá-me um beijinho pariga
Então não querem lá ver
Ai que vai haver briga
Não há nada a fazer

E ainda… dá um beijinho mulher
Agora é que foi, ouve lá ó couve roxa
Por acaso está a parecer
Que tenho cara trouxa

O meu verso nasceu assim
Ao lembrar nem sei o quê
Anoiteceu e dou por mim
A questionar o porquê

De beijar ao deus dará 
Ora aqui ora acolá
Que vida é que isso trás
Se sabe diga-me lá.



segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Uma gargalhada




Dispenso juras que ninguém ouve
Fonemas que o vento leva
O sentir de uma pena breve
Ou circo numa bamba arena

Chorar mesmo com vontade
Rir por bem parecer
Mesmo que não me agrade
Dispenso dizer por dizer

Uma dor de cabeça
Ou diarreia mental
Mesmo que assim mereça
Dispenso um arraial

Feito por tudo e por nada
Mas que grande Carnaval
Vamos lá uma gargalhada
Os versos são o meu mal

Quando no goto me cai
Uma vulgar palavra
Que fazer o verso descai
No papel em solta lavra…

                                        


domingo, 25 de agosto de 2013

Quadras a eito




Não te atrevas a fazer como o sargaço
Que cresce enleado em trigo loiro
Nem sempre se ocupa o nosso espaço
Lá diz a gente olha o agoiro.

Num sonho que é nosso nasce a maré
Mas nem sempre a vontade é pertinente
Nem tudo o que brilha oiro é
E a lida é quase sempre intransigente.

Lembranças de uma ideia já sem vida
Recorda ao andar em campo aberto
Por vezes trocar o certo pelo incerto
É saída que acelera a partida.

Assim como a escrita debandou
Pelas linhas que levaram ao suporte
Dos versos que o instante delatou
Recordando que o rimar pode ser sorte

Num vago devaneio de loucura
O mote se perdeu a olhos vistos
Que importa se dissipou a formosura

Conselhos nada são que abanicos

Que se dão de mão beijada sem reparo
Quer se peçam ou não é sempre igual
Somos para os outros um amparo
Para nós um fosso abismal

O melhor é ir embora por agora
Com sargaços enleei em franca fresta
Está sabido que aos olhos não aflora
Nos trigais a flor branca da giesta.

Quezília



Dos estilhaços que sobejam da quezília
Fica o incómodo muito mais que a frustração
Juro que me sinto peça de mobília
Carcomida e bichada pela embirração

Mas que vida sem ser vida, ou é curta ou comprida
Logo atrás ou mais adiante como é larga a avenida
Lá fora caia a chuva, mentira só faz sol
Palavras sem sentido a escorregar no rol

Digo eu e dizes tu, calados é que não
Assim passam os minutos tudo ao encontrão
No final o cansaço mas que grande ladainha
Por fim um forte abraço não se estica mais a linha.